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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Reestreia de VALE TUDO: vale a pena ver de novo!



Pessoal, estreia hoje no canal VIVA a reprise a maior novela brasileira de todos os tempos. Ao lado de O DONO DO MUNDO e CORPO A CORPO, também de Gilberto Braga, essa novela apresentou-se como a perfeição na história dos folhetins diários.



VALE TUDO foi simplesmente uma novela onde, nas palavras de Gilberto Braga e Aguinaldo Silva na coleção AUTORES, tudo pegou desde o início. A discussão de valores como a ética, a moral e a boa conduta no dia a dia confrontou personagens como Raquel Acioly e Odete Roitmann. A elite brasileira arrogante e intolerante contra o povo que trabalhava e subia na vida honestamente.

Tudo isso, tendo como pano de fundo a direção genial e sempre maravilhosa de Dennis Carvalho. Coroando a estória, Glória Pires no papel da vilã Maria de Fátima, que começa a novela vendendo a casa em que mora mãe e termina-a vendendo o próprio filho, gerado em sua barriga.

O Brasil, recém-saído da Ditadura Militar e que aprendia a conviver novamente com a democracia e o voto direto e obrigatório, abraçou a causa e se identificou prontamente com a novela.



Dramas como ascenção social e econônimca, alcoolismo, relações frágeis de parentesco e preconceito social também estão bem presentes. Temas que, inclusive, continuam atuais e sendo abordados em novelas até os dias de hoje, 22 anos depois da exibição original.



Excelente elenco, excelente direção e excelente trilha sonora (confira no link). Meu sonho é rever essa obra por completo, em seus 203 capítulos. Sonho esse que realizo a partir de hoje, de segunda a sexta, à 0h45. Obrigado, VIVA!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sete Pecados?! Errou... e errou feio!



Gente, eu havia dito há algumas postagens atrás, antes sequer das chamadas das novelas começarem a passar na programação. Sete Pecados (2007) foi um erro para jamais ser reprisado, ao contrário de novelas ruins de audiência, mas merecedoras de uma reprise, como foi o caso de Força de Um Desejo (1999).

A salada de Walcyr Carrasco, sua primeira incursão no horário das 19h e nas tramas contemporâneas, não vingou! O autor escalou seu elenco habitual, composto por Priscila Fantin, Elizabeth Savalla, Malvino Salvador e Nivea Stelmann, entre outros. A ideia dos núcleos que representavam os sete pecados tropeçou feiamente, dando espaço ao folhetim convencional do meio pro fim da novela. Cláudia Raia foi varrida do elenco por atritos com o autor, segundo correm as fofocas de bastidores.

Criaram-se novamente as famosas situações extremamente "Walcyrnescas", onde ocorriam as cenas de flagrantes de traições com o suposto traidor dopado e carregado para a cena do crime - caso da personagem de Giovanna Antonelli. Ou então aconteciam os mil casamentos, onde sempre o noivo ou a noiva passavam por algum problema e acabavam não casando. Isso sem contar os personagens fora do tom e exageradamente "palhacescos", mais uma vez o caso de Savalla e Malvino Salvador, vivendo mais do mesmo.

Acho o texto de Walcyr Carrasco MUITO fraco... seus diálogos são sofríveis e ele não se renova. Em Caras & Bocas (2009) já notei uma leve melhora, mas não consigo acompanhá-lo. Porém, admito que ele é um autor extremamente folhetinesco e o público admira esse tipo de obra. O telespectador brasileiro das novelas gosta de ver sempre o mesmo formato, infelizmente. A tv está fechada para inovações neste quesito!

Bom... quanto à reprise deste "Grande Sucesso", segundo o locutor das chamadas, a audiência - que já patinava por volta dos 16 pontos na reprise de Sinhá Moça (2006), antecessora no horário - caiu para ridículos 10/11 pontos nesta primeira semana. Um índice pífio! Se Silvio Santos for esperto, coloca alguma novela mexicana de forte apelo ao público pra brigar pela liderança na audiência.

Essa queda era previsível, pois em decisão tomada pela emissora em Março, a Globo optou pela reprise de novelas com "menos sucesso" na faixa de tarde, pois os anuniantes queriam redução na faixa de preço do horário noturno, dado que a audiência estava praticamente igual nestes dois momentos em muitos dias. Com isso, entrou Sinhá Moça no lugar de Alma Gêmea (2005), outra novela de Walcyr Carrasco.

E o público do horário, que clama por grandes sucessos dos anos 90 e até mesmo novelas mais recentes que foram de grande sucesso, fica a ver navios... uma pena!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Vale a pena ver de novo MESMO?!

Caraca, é impressionante isso! Duas semanas atrás, circulou um boato de que a próxima novela a ser reprisada na faixa vespertina VALE A PENA VER DE NOVO seria SETE PECADOS (2007), de Walcyr Carrasco. Aguardei um pouco para ver se a informação batia, mas como SINHÁ MOÇA deve se estender até Setembro, resolvi escrever agora.



Caso este informação se torne verdadeira, eu acho simplesmente um absurdo o que está acontecendo. Uma emissora como a Rede Globo, que possui novelas maravilhosas dos anos 80 e 90 em seu arsenal, jogando na programação uma novela que patinava na audiência e foi duramente criticada na época? É um pouco demais pra minha cabeça... mas vamos às razões da escolha, alegadas pela emissora: em primeiro, a exibição seguida de SENHORA DO DESTINO e ALMA GÊMEA na faixa vespertina, durante o ano passado, alavancou o ibope do horário, igualando-o muitas vezes ao das novelas das 18h e 19h que eram exibidas, como PARAÍSO, CAMA DE GATO e TEMPOS MODERNOS. Com isto, os anunciantes das faixas noturnas queriam redução no valor cobrado pela emissora para anunciar, pois de tarde o valor era bem mais barato e a audiência era praticamente a mesma. Com isto, a Globo se viu praticamente obrigada a exibir tramas de menos sucesso no horário, na esperança de que a audiência da faixa vespertina voltasse à casa dos 15 pontos e isso salvasse seus anunciantes noturnos. Sim, você leu certo: SINHÁ MOÇA inaugurou uma nova era nas reprises do VALE A PENA VER DE NOVO.

Problema número 2: o Ministério Público anda no pé dos autores de novelas e suas estórias. Novelistas como Duca Rachid e Thelma Guedes, responsáveis por CAMA DE GATO (2009), reclamaram que em qualquer armação da vilã Verônica (Paola Oliveira), elas eram notificadas pelo MP. Segundo uma delas, Verônica seria uma vilã muito pior e mais cruel. Isso mesmo, você não ouviu errado! Após 21 anos de ditadura militar no Brasil, a censura volta a imperar na televisão! E não é só isso: a novela TEMPOS MODERNOS, finalizada há quase um mês, foi reclassificada para maiores de 12 anos e só não teve sua exibição inviabilizada porque o Ministério Público tomou essa decisão após o último capítulo da mesma. Os autores das faixas das 18h e das 19h estão sofrendo todo tipo de censura e poda, forçados a contarem suas novelas na forma de água com açucar. De pensar que a Globo já exibiu tramas como MULHERES DE AREIA (1993) às 18h... ai, ai!

Com isso, a emissora está oficialmente PROIBIDA de reprisar novelas que não estejam marcadas com a classificação etária LIVRE no horário vespertino das reprises. Esqueçam todas as novelas das 20h e algumas das 19h... a emissora até cogitou reprisar COBRAS & LAGARTOS (2006), excelente trama de João Emanuel Carneiro, mas esbarrou na reclassificação do MP, que reclassificou a novela para 12 anos e deixou que a emissora terminasse sua transmissão na época com a promessa de que a novela não voltaria no horário vespertino futuramente.

A emissora usa o canal VIVA como "desculpa oficial" para não reprisar mais as novelas mais antigas, mas isso não cola... a tesoura tá passando forte na Globo, e não é a tesoura dos estilistas de Tititi...

Quanto à SETE PECADOS, foi a primeira novela de Walcyr Carrasco no horário das 19h, sendo também a sua primeira trama contemporânea. Não me agradou! Walcyr, na minha opinião, não sabe escrever tramas atuais e peca em vários quesitos: seu texto é infantil e desglamouriza os atores, além do fato dele sempre trabalhar com o mesmo elenco (Elizabeth Savalla que o diga) e costumar dar a este mesmo elenco personagens quase sempre muito parecidos. Cláudia Raia, segundo informações de bastidores, foi varrida do elenco da novela, sob alegação de estar acrescentando "cacos" demais nas falas de sua personagem Ágatha. Priscila Fantin, que havia acabado de protagonizar ALMA GÊMEA (2006) fez uma patricinha muito chata, que aprontava com todos e nada sofreu por isso.

A trama dos núcleos dos pecados perdeu-se totalmente ainda no início e deu lugar a um samba do crioulo doido, onde Malvino Salvador interpretava novamente um machinho orgulhoso, que era lutador de boxe. Nivea Stelmann vivia uma sacoleira que era sua namorava e repetia todo o capítulo o bordão "Eu sou chique de doer". Duda Nagle, que havia acabado de fazer AMÉRICA (2005), novamente vivia um personagem que engravidava a namorada e se casava com ela por isso. Isso sem falar em Elizabeth Savalla, que vivia novamente uma perua rica e exagerada, cheia de trejeitos e manias. Savalla, aliás, merecia trabalhar com outros atores, pois já está muito marcada.

Mas também vi algumas coisas boas na novela: Gabriela Duarte, fazendo papel de uma diretora que tenta mudar a rotina de uma escola pública. Carla Diaz, uma menina portadora do vírus HIV, que sofre com o preconceito dos colegas. E a sempre simpática e querida Cláudia Jimenez, que nos brindou com a anja Custódia.

Minha opinião? Não merecia reprise essa novela. Não mesmo! Podiam reprisar alguma coisa mais antiga e de mais sucesso... só digo isso!