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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Horário infantil pede socorro na faixa matinal.

Gente, o que vem a ser a atual programação infantil na televisão? Chega a dar vergonha assistir esses programas ao lado das nossas crianças... os bons e velhos programas infantis dos anos 80 e 90 foram totalmente varridos da programação da tv aberta.

Enquanto isso, alguns poucos canais de tv fechados, que se dizem voltados ao público infantil, exibem atrações totalmente ruins e importadas de outros paises, como os teletubbies. Os programas legais ficaram no passado, para nunca mais voltar!



A Rede Globo, emissora tão competente nesses quesitos em outras épocas, resolveu preencher sua programação semanal com um programa ao estilo "Video Show", onde os apresentadores (totalmente sem empatia com o público infantil) aparecem por segundos no video, anunciando as atrações seguintes. Fico imaginando a cara destes apresentadores quando o diretor grita "CORTA!"... devem se sentir as pessoas mais toscas do mundo!

Chega a ser realmente lastimável que uma emissora que já preencheu sua faixa matinal com as estrelas Xuxa e Angélica esteja tão em baixa com o público infantil. A Globo perdeu grande parte do seu público justamente na faixa matutina, onde chega a apanhar no ibope pras concorrentes Record e SBT em alguns dias. Fora que o efeito de share (números de aparelhos de tv sintonizados na emissora) baixo em uma faixa do dia parece se estender aos demais horários do dia, prejudicando a média de todos os programas da casa.



Xuxa até tentou voltar à faixa matutina no início dos anos 2000, mas falhou: já na casa dos 40 anos, a apresentadora perdeu a empatia com o público infantil que a mantinha em alta na época do Xou da Xuxa. Seu outro público em potencial, os adolescentes (ex-baixinhos de outrora), ficaram carentes da apresentadora quando a mesma extinguiu o Planeta Xuxa de sua vida. Parece que o fim da parceria com Marlene Mattos não fez bem à artista.

Já Angélica migrou de público, mas ficou confinada à gincana do Video Show (que ainda tinha alguma graça quando recebia artistas da casa) e a um programa semanal em que mostra a intimidade dos artistas. O programa Estrelas, que vai ao ar todo Sábado, é muito bom e bem produzido - porém pequeno para o espaço que a apresentadora merece.



No SBT, o negócio é mais feio. Por ser uma emissora mais liberal na grade de horários, o SBT já levou ao ar novelas com conteúdo totalmente infantil em seu horário nobre. As atrações Carrossel e Chiquititas, esta última produzida em parceria com a Argentina TeLeFe, causaram verdadeiros problemas na audiência da Globo quando foram ao ar. Já as atrações infantis se resumiram ao comando de uma criança de 6 anos que tem tudo pra virar uma segunda Simony: Maísa. A menina tem muita desenvoltura e potencial em frente às câmeras, mas é muito nova para estar exposta à mídia como está sendo.

Por último, o que falar dos atuais desenhos? Com RARÍSSIMAS exceções, são PÉSSIMOS! Na minha época de criança, assistíamos clássicos dos estúdios, como Mickey e Donald, Tico e Teco, Tom e Jerry, Looney Toons, Caverna do Dragão, She-ra e He-man e Power Rangers. As crianças de hoje são educadas à base de muito desenho japonês de luta, pancadaria e violência. O que falar dos horrendos Dragon Ball e todos os seus derivados?



É difícil olhar pra televisão hoje em dia e ainda achar algo de bom entre as atrações infantis. Também nessas horas, a nostalgia me pega de jeito... e você?

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O que nos aguarda nesta próxima década?

Bem, pessoal, entramos nos anos 10. É estranho falar isso para quem já disse ter vivido nos anos 90 e 2000. Dá uma sensação de "trinta anos" batendo à sua porta, hehe. Mas não é sobre isso que vim falar hoje. Gostaria de falar a respeito de programas humorísticos da história da televisão, com destaque especial para três deles:



Na década de 80, nascia o extinto TV PIRATA. Confesso que pouco me lembro desse programa, pois sou de 1987 e me lembro apenas de flashes e alguns poucos videos na internet (santo youtube)! Porém, quem viveu nesta época de ouro da tv afirma, sem dúvida, que o programa era muito bom e merecia voltar à atual grade da televisão, ainda mais com os humorísticos que estão sendo exibidos agora. Alguns rostos famosos do humor, como Cláudia Raia, Débora Bloch, Luiz Fernando Guimarães e Diogo Villela já davam o ar de sua graça no extinto humorístico. Havia sátiras aos próprios programas da Rede Globo, como a novela Roda de Fogo, grande sucesso de Lauro César Muniz (1986) e a revista matinal TV MULHER.



Em seguida, nos anos 90, tivemos a chegada do SAI DE BAIXO. Com o elenco encabeçado por Cláudia Jimenez e Tom Cavalcante, o humorístico prometia um humor rápido, escrachado e bem bolado aos domingos de noite, após a revista eletrônica Fantástico - horário anteriormente vazio na programação da emissora. O programa começou muito bem, é verdade, mas a saída de Cláudia Jimenez após a primeira temporada abalou as estruturas do programa. Sua personagem, a insolente doméstica Edileuza, era 80% da graça do programa. A atriz Márcia Cabrita, apesar de ótima, ficou ofuscada quando assumiu o papel de doméstica da atração.



Marisa Orth brilhava no papel de uma mulher extremamente idiota e Miguel Falabella criou um inesquecível canalha, Carlos Antibes, que havia ficado pobre e não perdia a mania de escrachar todo mundo pela falta de dinheiro. Aracy Balabanian, que havia acabado de viver uma personagem malvada em A Próxima Vítima (1995) não deixava por menos e brilhou ao interpretar Cassandra Salão, viúva de um brigadeiro da Aeronáutica. Um dos pontos altos do programa eram os constantes ataques de riso de Aracy, que contaminavam todo o elenco. Sai de Baixo brilhou na grade da Rede Globo durante seis longos anos (1996-2002).



Com a chegada dos anos 2000, apareceu a série OS NORMAIS. Numa proposta totalmente inovadora, o seriado narrava a rotina de vida de um casal que não saía da condição de noivos. Rui e Vani, interpretados por Luiz Fernando Guimarães e pela EXCELENTE Fernanda Torres se colocavam nas situações mais cotidianas e também mais loucas de um casal, levando o público às gargalhadas pela empatia com as histórias contadas talentosamente pelo casal Alexandre Machado e Fernanda Young. Todo episódio contava com a participação especial de artistas que viviam personagens também engraçados. A série nos fazia encontrar recentemente com uma sensação de "Eu já vivi isso na minha vida real, com a minha família".



Em 2003, na terceira e última temporada, Os Normais ganhou a presença de Graziella Moretto e Selton Mello, que interpretavam Maristela e Bernardo, um casal de amigos de Rui e Vani. A série durou três temporadas e totalizou 71 episódios imperdíveis. Aliás, sinto muito a falta de Fernanda Torres em trabalhos na tv novamente. Sei que a atriz tem um enorme potencial pra dramaturgia, como vi em Selva de Pedra (1986) e não sei porque a mesma não volta às novelas e séries. Os Normais acabou em Setembro de 2003, deixando muitas saudades ao seu público.



Além dessas três séries que falei hoje, ainda houveram outros bons programas nessas épocas, como A COMÉDIA DA VIDA PRIVADA, humorístico baseado nos textos de Luiz Fernando Veríssimo, CHICO TOTAL, programa em que o humorista Chico Anísio interpretava seus personagens em vários quadros e a série OS ASPONES, também de Alexandre Machado e Fernanda Young, que retratava o funcionalismo público numa repartição onde as pessoas fingiam trabalhar por não haver o que fazer no local do emprego. Este último seriado, aliás, me fazia GARGALHAR em frente à tv, pois sou filho de funcionários públicos e, como todo brasileiro, já precisei destes cidadãos e fui muito mal atendido pela grande maioria dos mesmos.

Fica a pergunta para todos nós agora: qual será o futuro da vida do humor na televisão?